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Notícia

01/02/2013

Em busca do uso racional de medicamentos

Por Elisandra Galvão

 

Preocupados com a questão do acesso a dados confiáveis sobre o uso de medicamentos, o projeto Healthcare Information For All (Hifa2015) – Informação em Saúde para Todos – disponibiliza informações para os profissionais de saúde na sua página na internet. O objetivo é divulgar informações e ser uma fonte para usuários e prescritores, médicos ou, em alguns países, os próprios técnicos em saúde. Também é preciso lembrar que os profissionais de saúde são usuários de medicamentos e a automedicação não é somente um problema daqueles que não são especialistas.

Anualmente, a HIFA2015 se concentra nas necessidades de informação de um determinado grupo de profissionais de saúde. Em 2008, o foco foi os estudantes; no ano seguinte, as enfermeiras e parteiras; em 2010, os agentes comunitários de saúde; e nos últimos dois anos, os cidadãos, pais, filhos e famílias. A coordenação da Hifa acredita que prescritores e usuários devem ter acesso à informação e ao conhecimento necessário para que o medicamento seja usado de forma eficaz.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o uso adequado de antibióticos e outros medicamentos só será possível quando os profissionais de saúde e o público em geral tiverem acesso a informações confiáveis, atualizadas e imparciais sobre os medicamentos.

"O acesso à informação fidedigna, de qualidade e imparcial sobre medicamentos é fundamental para os cuidados de saúde. Àqueles que prescrevem e os usuários normalmente não têm acesso a este tipo de informação, principalmente em locais com recursos limitados", afirmam Atai Okokon, que vai liderar o desafio Hifa 2013-2015, e Neil Pakenham-Walsh, coordenador da HIFA.

Eles destacam que algumas pessoas não têm acesso a qualquer informação científica ou então recebem informação associada a interesses comerciais. O resultado é que os usuários tornam-se vulneráveis a erros de medicamento ou dosagem que podem até levar a morte. Isso sem contar com a prescrição irracional que contribui para a resistência medicamentosa, um exemplo são os pacientes que estão sucumbindo à tuberculose multirresistente. Há uma ameaça real e crescente a todos os seres humanos, por microrganismos resistentes aos tratamentos conhecidos.

Para a OMS, o uso racional de remédios significa: "os pacientes recebem medicamentos apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período de tempo adequado e ao menor custo para si e para a sua comunidade".

Má utilização

O uso irracional de remédios é um grande problema em todo o mundo. A OMS estima que mais da metade de todos os medicamentos são prescritos, dispensados ou vendidos inadequadamente, e que metade dos pacientes não conseguem tomá-los corretamente. O uso excessivo, a subutilização ou o mau uso resulta no desperdício de recursos aumentando os riscos para a saúde.

São exemplos de uso irracional de medicamentos a utilização de múltiplos remédios por paciente (polifarmácia), de antimicrobianos – frequentemente em doses inadequadas para tratar infecções não bacterianas, e de formulações por via sistêmica quando o uso oral poderia ser mais adequado. Também compõem esta listagem a falta de utilização de diretrizes e normas pré-estabelecidas, a automedicação inadequada com produtos sujeitos à prescrição médica e a falta de adesão à dosagem correta.


A Hifa2015 e a Hifa-pt

O projeto Healthcare Information for All by 2015 (Hifa2015) foi criado para permitir que em 2015 cada pessoa no mundo tenha acesso a um provedor de saúde, familiar ou cuidador bem informado. Em 2009, a Hifa2015 lançou uma versão em português da rede de conhecimento global, que reúne profissionais de saúde, bibliotecários, editores e gestores da área de saúde provenientes de 150 países. A rede, chamada Hifa-pt, é uma parceria entre a Rede ePORTUGUÊSe da Organização Mundial da Saúde e da Rede Global de Informação em Cuidados de Saúde/HIFA2015. Leia mais aqui e acesse o espaço colaborativo da ePORTUGUÊSe.

A ePORTUGUÊSe é uma plataforma da OMS desenvolvida para promover a colaboração entre os países de língua portuguesa nas áreas da informação e capacitação de recursos humanos em saúde, considerando que o português é a sétima língua mais falada do mundo, a terceira língua mais falada no hemisfério ocidental e o idioma mais falado abaixo da linha do Equador.
 

Fonte/fotos: HIFA2015.

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