Coalizão Global busca projetos sobre dengue para ampliar acesso de populações vulneráveis à saúde [1]
Fortalecer a produção local e regional de produtos de saúde, promover a inovação tecnológica e reduzir desigualdades globais no acesso à saúde. Esses são os objetivos da primeira chamada de propostas da Coalizão Global para a Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo. A iniciativa foi lançada na terça-feira (24/3) na Fiocruz e tem como foco projetos relacionados ao enfrentamento da dengue. A chamada representa os avanços da Coalizão, um dos principais legados da presidência brasileira do G20, liderada pelo Ministério da Saúde sob secretariado executivo da Fiocruz.

A chamada de propostas busca identificar e apoiar projetos que estimulem a estruturação de redes globais sustentáveis que garantam tecnologias essenciais (como vacinas, terapias e diagnósticos) para doenças negligenciadas e pessoas vivendo em condições de vulnerabilidade. Ministro da Saúde, Alexandre Padilha esteve na mesa de abertura do evento. “O primeiro desafio a ser enfrentado (no âmbito da Coalizão) foi definido em conjunto pelo Comitê Diretivo: a dengue. Atualmente, cerca de metade da população mundial está em risco de contrair a doença, com quase 400 milhões de infecções por ano, presente em todos os continentes”, ressaltou.
Segundo o ministro, este momento representa um avanço no enfrentamento da dengue no Brasil e no mundo. “Apostamos na cooperação, no diálogo e na ciência para promover o desenvolvimento conjunto. Acreditamos em um mundo com menos conflitos e mais acesso a vacinas, medicamentos e vida. Com o lançamento da primeira chamada de propostas da Coalizão, a ideia é reduzir os impactos das falhas no fornecimento de insumos de saúde, principalmente nos países do Sul Global”, afirmou Padilha.
Diretor-geral assistente da Organização Mundial da Saúde (OMS) para Promoção da Saúde, Prevenção de Doenças e Cuidados, Jeremy Farrar também presidente do Comitê Consultivo da Coalizão, participou presencialmente do lançamento e pontuou a importância de uma liderança diante de tempos “tão incertos”. Ele pontuou ainda diversos desafios enfrentados globalmente hoje, como as iniquidades, conflitos e mudanças climáticas.
“Esta chamada de propostas reflete um compromisso coletivo com a ciência, a Pesquisa & Desenvolvimento e a equidade em saúde – fortalecendo a produção regional, promovendo tecnologias inovadoras para doenças prioritárias e possibilitando o crescimento científico e econômico de forma sustentável”, declarou Farrat.
Para o presidente da Fiocruz e secretário executivo da Coalizão, Mario Moreira, a chamada representa um marco no desenvolvimento da iniciativa. “Temos trabalhado para garantir que a Coalizão se concretize numa plataforma na qual governos, organizações multilaterais, produtores, sociedade civil, instituições técnicas e organismos regionais possam avançar juntos, alinhados em propósito e guiados pela equidade”, destacou.
Moreira lembrou a criação da Coalizão e a designação da Fiocruz como secretaria executiva, acentuando que a iniciativa foi concebida pelos ministros da Saúde do G20 e apoiada de forma voluntária por governos, organizações internacionais, setor privado, instituições públicas e filantrópicas, academia e sociedade civil. “Recebemos essa responsabilidade com muita honra, mas também com plena consciência da sua importância”, disse. “Vemos a Coalizão não apenas como um mandato, mas como uma oportunidade para maior unidade e responsabilidade e de articulação mais forte entre as diversas estratégias, plataformas e iniciativas existentes nas diferentes regiões”.
Após a cerimônia de abertura, a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz, integrou um painel que trouxe uma visão geral da Coalizão e análise da chamada de propostas. “Uma palavra-chave é acesso. Quando a gente pensa acesso, não adianta pensar só no desenvolvimento, mas em toda a cadeia para aquele produto, ou aquela tecnologia de saúde, chegar a quem realmente precisa”, observou Ferraz. “Nós estamos estimulando, pela própria natureza da Coalizão, que sejam aplicadas propostas também no formato de consórcio, que a gente tenha parcerias público- privadas, parcerias que não sejam apenas dentro de países, mas dentro de regiões, para que a gente possa, de fato, dinamizar o processo de ampliação da capacidade de pesquisa, desenvolvimento, inovação e produção”. A chefe do Escritório Especial para Assuntos Internacionais do Ministério da Saúde, Marise Nogueira, também participou da mesa, trazendo contribuições sobre a iniciativa e seu papel.
Diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber mediou um painel sobre como outras iniciativas podem contribuir para os objetivos da Coalizão. Dele participaram a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda de Negri; o chefe do Gabinete de Políticas de Saúde e Relações Internacionais do Ministério da Saúde da França, Bertrand Millet; o representante no Brasil da Organização Panamericana de Saúde (Opas/OMS), Cristian Morales; e o diretor geral da IVI, Jerome Kim. Cuber apontou a necessidade de se criar sinergias: "O desafio da Coalizão é fazer com que as iniciativas se articulem estrategicamente com o ecossistema já existente. Ao atuar de forma coordenada, a iniciativa ampliará o seu impacto e chegará ao seu objetivo de tornar os países soberanos e atender às necessidades das populações mais vulneráveis", comentou.
Acesso equitativo a tecnologias em saúde
Os membros dos Comitês diretivo e consultivo da Coalizão se reuniram presencialmente pela primeira vez na manhã desta terça-feira (24/3), na Fiocruz. Na ocasião, debateram temas operacionais, como a chamada de propostas. Com foco na identificação de projetos de alto impacto e que abordem situações de iniquidades, a chamada busca propostas que atendam às necessidades locais, nacionais ou regionais, incluindo iniciativas multinacionais e, quando aplicável, com potencial de replicação ou adaptação em outros contextos.
Ao promover o fortalecimento de capacidades locais e regionais e a cooperação internacional, a chamada pretende contribuir para tornar tecnologias em saúde mais acessíveis, disponíveis e alinhadas às necessidades de saúde pública, avançando na redução das desigualdades globais. Podem se candidatar governos, organizações internacionais, instituições privadas e públicas e organizações sem fins lucrativos. Mais informações no site da Coalizão.
Coalizão Global
A Coalizão Global para a Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo foi firmada na assinatura da Carta de Genebra, em 20 de maio de 2025, durante a 78ª Assembleia Mundial da Saúde. O objetivo é colocar em pauta questões emergentes e desafios interconectados: a concentração da capacidade de ciência, P&D e de produção nas áreas de ciências da vida, tecnologia e saúde, em um pequeno número de países; cadeias de suprimentos frágeis; assimetrias regulatórias; e integração limitada entre inovação, produção e acesso, particularmente em países de baixa e média renda.
A iniciativa surge do compromisso com a superação das iniquidades em saúde agravadas na pandemia de Covid-19, avançando com a proposta de um novo modelo de produção e acesso à inovação para tecnologias essenciais de saúde, como vacinas, terapias e diagnósticos para doenças negligenciadas e pessoas vivendo em condições de vulnerabilidade.






