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Curso de Especialização em Educação Profissional em Saúde (Ceeps) para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop)

Updated: 01/28/2014
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Apesar de todas as ações realizadas no âmbito da RETS-CPLP terem alcançado seus propósitos, uma delas superou as expectativas: o Curso de Especialização em Educação Profissional em Saúde (Ceeps) para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop), cujo objetivo foi especializar professores e dirigentes da área, por meio do aprofundamento das bases teórico-metodológicas que fundamentam as políticas de educação e suas relações com a saúde e o trabalho em saúde. A ideia era que os alunos pudessem desenvolver uma compreensão histórica dessas políticas, sendo capazes de implementar práticas transformadoras que contribuissem para a estruturação e consolidação das instituições públicas de formação de técnicos em saúde em seus países.

A proposta de realização do curso surgiu na própria reunião de criação da RETS-CPLP, em dezembro de 2009, e foi aprovada numa reunião ocorrida na Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Lisboa (ESTeSL), em abril de 2010, na qual representantes de todos os países envolvidos discutiram o projeto construído coletivamente por profissionais da pós-graduação e da cooperação internacional da EPSJV em mais de um ano de trabalho. Ao final da reunião, com alguns ajustes importantes, o projeto foi aprovado e teve início mais uma etapa do trabalho que culminou com o lançamento oficial do edital do curso, em julho. O processo seletivo foi finalizado em outubro de 2010. O curso teve início em 23 de fevereiro, na Guiné Bissau, e terminou no Rio de Janeiro, no dia 9 de dezembro, com a formatura de 27 alunos.

Julho de 2010: lançamento do edital do projeto

As inscrições para o Curso de Especialização em Educação Profissional em Saúde para estudantes dos Palop e do Timor Leste começaram no dia 16 de julho de 2010, conforme definido no Edital publicado no dia 10 do mesmo mês.

Para a turma inicial, foram oferecidas  30 vagas – Angola (6), Cabo Verde (5), Guiné-Bissau (5); Moçambique (7), São Tomé e Príncipe (5) e Timor Leste (2) – a serem preenchidas por professores e dirigentes portadores de diploma de nível superior de graduação e vinculados ao sistema nacional público de saúde ou de educação, em instituições de formação de trabalhadores em saúde nos seus respectivos países.

O curso teve carga horária presencial de 416 horas e foi organizado em cinco blocos de duas semanas, de caráter presencial e intensivo, a serem realizados rotativamente em cada um dos países participantes. Entre cada um dos blocos haverá seis semanas de dispersão para a realização de tarefas e atividades não presenciais. 

Março de 2011: Guiné Bissau sedia a primeira etapa do curso

No evento de abertura do curso, a representante da Secretaria Executiva da RETS-CPLP, Anamaria Corbo, explicou que a atividade, de grande importância para os países africanos, estava prevista tanto no Plano de Trabalho da Rede quanto no Programa de Ação Multianual do Projeto de Apoio ao Desenvolvimento dos Recursos Humanos para a Saúde nos Palop e Timor Leste (PADRHS_Palop e TL), financiado pela União Europeia. A RETS-CPLP funciona como uma das sub-redes da RETS e foi concebida como um dos projetos estruturantes do Plano Estratégico de Cooperação em Saúde da CPLP (Pecs-CPLP).

Em sua fala, o secretário executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, salientou a visão estratégica que o Pecs traz para os países da Comunidade, possibilitando a ampliação e qualificação dos quadros de saúde e favorecendo a cooperação e a troca de experiências entre os eles, e elogiou o Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), de Portugal, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Brasil, pela elaboração de um plano que articula conhecimento técnico e ação política.

Por fim, o secretário de Estado da Saúde de Guiné Bissau, Augusto Paulo José da Silva, que representou o ministro da Saúde, destacou os problemas que a África enfrenta na área dos recursos humanos em saúde. Além disso, afirmou que a integração dos países em rede na busca de soluções colaborativas para seus problemas comuns, bem como o trabalho no âmbito dos planos nacionais de recursos humanos em saúde são fundamentais para a superação dos desafios e a resolução da crise no setor.

Também participaram da mesa: Amabélia Rodrigues, diretora do Instituto Nacional de Saúde Pública de Guiné Bissau (Inasa), inaugurado na véspera, e o responsável pela delegação da União Européia em Guiné Bissau, Piero Valabrega.

Moçambique e Cabo Verde também recebem o curso itinerante

                                  

O 2º módulo ocorreu entre os dias 25 de abril e 6 de maio, nas dependências do Centro Regional de Desenvolvimento Sanitário (CRDS) localizado em Maputo, Moçambique. Na primeira aula do módulo foi realizada uma abertura oficial com a presença de representantes do Departamento de Recursos Humanos do Ministério da Saúde de Moçambique, do representante do escritório da Fiocruz em África, além da chefe de equipe da assistência técnica do PADRH / PALOP.

O 3º módulo, por sua vez, ocorreu do dia 16 ao dia 26 de agosto, no campus da Universidade de Cabo Verde (UNICV), localizado em Mindelo, Ilha de São Vicente. Na primeira aula do módulo, foi realizada uma abertura oficial com a presença do reitor da UNICV; do ministro da Educação Superior de Cabo Verde; do administrador do PADRHS PALOP e Timor Leste para Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe; do ponto focal da RETS CPLP em Cabo Verde; da coordenadora executiva do curso; e um representante dos alunos. O módulo foi programado para iniciar-se no dia 15/08, mas devido a um feriado nacional o início do curso foi postergado para o dia seguinte.

De acordo com os alunos, a itinerância do curso trouxe a possibilidade de os alunos vivenciarem a realidade dos diferentes países africanos, fortalecendo os laços de cooperação horizontal, favorecendo o reconhecimento da origem comum e a busca por soluções de problemas vivenciados de maneira semelhante.

Dezembro 2011: formatura marca a última etapa do curso

Convite de formaturaEmocionante. Essa é a palavra que melhor descreve a cerimônia de formatura da primeira turma do Curso Ceeps-Palop),realizadana na sexta-feira, dia 9 de dezembro de 2012 na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), no Rio de Janeiro.

A mesa do evento foi formada pelas coordenadoras do curso, Anamaria Corbo e Marcela Pronko; pela Diretora e pela Coordenadora do Programa de Pós-Graduação da EPSJV, Cristina Araripe e Marise Ramos; pela vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz, Nísia Trindade; por Roberta Santos e Claudia Marques, representando, respectivamente, a Opas/OMS e o Ministério da Saúde; e pelo orador da turma, Tomás Dembe Chianga, de Angola.

Ao todo, se formaram os 27 alunos, de uma turma composta por professores e dirigentes de instituições públicas de formação de técnicos em saúde, de Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Guiné Bissau.

Representando a turma, Tomás (à esquerda) abriu a cerimônia falando da batalha que foi vencida. "Nosso olhar traduz a alegria que nos invade pelo êxito alcançado. Hoje, o momento simboliza o cumprimento de uma missão". O aluno manifestou o reconhecimento pelo trabalho realizado pelos docentes que, segundo ele, contribuíram sabiamente para a construção, aprofundamento e diversificação de conhecimentos teóricos metodológicos que fundamentam as políticas de Educação e suas relações com a Saúde e Trabalho em Saúde. Ao final de sua fala, o orador agradeceu a todos os envolvidos no projeto.

Logo depois, foi a vez de Marcela Pronko. A coordenadora falou do processo de criação e desenvolvimento e das dificuldades para a realização do curso e finalizou seu discurso citando Amílcar Cabral para destacar o espírito com que os alunos participaram da iniciativa: "Posso ter minha opinião sobre muitos temas, sobre a maneira de organizar a luta; de organizar um partido; uma opinião que se formou em mim, por exemplo, na Europa, na Ásia, ou ainda em outros países da África, a partir de livros, de documentos, de encontros que me influenciaram. Não posso porém pretender organizar um partido, organizar a luta, a partir de minhas idéias. Devo fazê-lo a partir da realidade concreta do país".

"Nos sete anos que estive à frente da Cooperação Internacional, esse foi um dos trabalhos mais enriquecedores que eu já vivenciei". Com a sensação de dever cumprido, Anamaria Corbo pontuou algumas questões que foram importantes no processo de criação do curso e agradeceu as pessoas, países e organizações envolvidos. Dirigindo-se aos alunos, foi enfática: "Eu espero, que cada vez menos, vocês precisem solicitar ajuda de países estrangeiros na perspectiva de cooperação para estruturar as instituições de vocês. Eu espero, que cada vez mais, vocês solicitem essa cooperação, não para ajudar a rever currículo e estruturar suas escolas, mas sim para publicar, na RETS ou em qualquer espaço que a EPSJV possa disponibilizar, o resultado da produção de conhecimento sobre a realidade que vocês vivenciam".

Ao final da solenidade, entre lágrimas e sorrisos, todos os formandos receberam seus certificados, como uma recompensa pelo esforço e dedicação. 

Vídeo do curso