Você está aqui

Publicado em: 01/04/2019

Idai foi o ciclone tropical com maiores prejuízos no sudoeste do Oceano Índico

imprimirimprimir 
  • Facebook

Oito especialistas* em direitos humanos das Nações Unidas pediram aos Estados, às organizações internacionais e ao setor privado que mostrem solidariedade aos países da África Austral após a passagem do ciclone Idai.

Dados oficiais apontam que 501 pessoas morreram, 1.523 ficaram feridas e mais de 1,85 milhão foram afetados em Moçambique, o país mais assolado pelo desastre. No Zimbabué, pelo menos 185 pessoas perderam a vida, 200 ficaram feridas e 250 mil foram deslocadas. Já no Maláui, foram confirmados 60 mortos, 672 feridos e pelo menos 868 mil deslocados.

Bilhões

Em nota, publicada esta segunda-feira em Genebra, o grupo de peritos** menciona ainda os bilhões de dólares em danos e mais de 3 milhões de pessoas afetadas entre 9 a 21 de março nos três países.

De acordo com os especialistas, este desastre foi “o ciclone tropical mais caro de sempre na bacia do sudoeste do Oceano Índico”. Este balanço inclui “o impacto negativo no gozo de direitos humanos”.

No abaixo-assinado, o grupo menciona que aconteceram ventos fortes e inundações que “dilaceraram estradas, pontes, casas, escolas e postos de saúde” além de vastas extensões de terras agrícolas que ficaram submersas.

A nota sublinha ainda que na sua maioria, os níveis dos rios pode ter atingido o pico e as inundações continuam severas mas “ainda não há clareza sobre a dimensão total do desastre, à medida que as operações de busca e salvamento continuam”.

Cólera

O grupo menciona ainda que com a pouca disponibilidade de água potável, foram relatados casos de cólera e existe um alto risco de surtos de outras doenças transmitidas pela água. Somente em Moçambique, 271 casos da doença foram confirmados.

Os peritos chamam a atenção para a magnitude desta catástrofe que “envia uma mensagem clara de que deve ser feito muito mais em termos de planejamento de desastres, preparação para emergências e adaptação climática.”

Segundo os assinantes, as “evidências científicas sugerem que esses tipos de eventos se tornarão mais frequentes e mais severos no futuro”.

Solidariedade

O pedido feito aos Estados, às organizações internacionais, à sociedade civil e aos indivíduos e empresas particulares é que demonstrem solidariedade aos afetados , incluindo países, comunidades, famílias e indivíduos.

A ajuda aos países afetados deve apoiar os “inúmeros esforços empreendidos por organizações da sociedade civil, incluindo agências de ajuda humanitária para levar conforto e alívio aos que foram afetados pela devastação causada por esse ciclone”.

*A nota é assinada pelos especialistas independentes sobre direitos humanos e solidariedade Obiora Okafor, sobre o direito dos deslocados Cecília Jimenez-Damary e da promoção de uma ordem internacional democrática e equitativa,  Livingstone Sewanyana.

Outros assinantes foram os relatores especiais sobre água e saneamento, Léo Heller, sobre direitos humanos e meio ambiente, David Boyd, sobre o direito ao desenvolvimento, Saad Alfarargi, sobre o direito à saúde física e mental  Dainius Puras, sobre o gozo de todos os direitos humanos dos idosos, Rosa Kornfeld-Matte.

Fotos/Ilustrações: 

Unicef/Prinsloo

Comentar