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Publicado em: 17/04/2019

Método Wolbachia: uma iniciativa inovadora de combate às doenças transmitidas por mosquitos

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Rafaela de Oliveira

O World Mosquito Program Brasil (WMP Brasil) conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou, em parceria com o Ministério da Saúde, no último dia 15/4, a implementação do método Wolbachia em três cidades do país. São elas: Campo Grande (MS), Petrolina (PE) e Belo Horizonte (MG). Esse novo procedimento, já testado no Rio de Janeiro, consiste na liberação do Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, o que reduz a capacidade do mosquito de transmissão das arboviroses, como a dengue, zika e chikungunya.  A previsão é que a nova metodologia inicie nestes municípios com atividades pré-operacionais já no segundo semestre de 2019 e tenha a duração de aproximadente três anos.

O anúncio foi oficializado pelo Ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, durante o evento "Atualização em Manejo Clínico da dengue e febre do Chikungunya e controle vetorial do Aedes Aegypti", realizado na Escola de Saúde Pública (ESP-MS), o qual teve como objetivo capacitar os profissionais de saúde envolvidos no combate aos Vetores dos 79 municípios do estado de Mato Grosso do Sul em relação à técnica de manejo, controle do mosquito e operação de campo. Na mesma ocasião, o pesquisador e líder do WMP no Brasil, Dr. Luciano Moreira, explicou detalhes do método à plateia através da palestra "Utilização do Mosquito com Wolbachia em municípios acima de 500 mil habitantes". Antes da incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS), a inovação autossustentável prevê a liberação do Aedes com o microrganismo na natureza.

No lançamento, em Campo Grande, Mandetta ressaltou que essa estratégia de combate é completar às já existentes, por isso todos os cidadãos precisam continuar as ações contra as doenças. No âmbito da pesquisa, hoje estamos dando um importante passo. Tínhamos duas linhas de trabalho, sendo uma voltada ao controle do mosquito com o uso de inseticidas, e outra direcionada ao controle biológico, que é o caso do uso da Wolbachia. Essa última pesquisa foi muito bem em todas as etapas, desde a parte teórica até o ensaio clínico em laboratório, e no teste em cidades de pequeno porte. Agora, vamos testar em cidades acima de 1,5 milhão de habitantes”, concluiu o ministro.

A Wolbachia

A Wolbachia é um microrganismo presente em cerca de 60% dos insetos, mas ausente no Aedes aegypti. Uma vez inserida artificialmente em ovos do mosquito, a capacidade do Aedes transmitir o vírus da zika, Chikungunya e Febre Amarela fica reduzida. Com a liberação de dele com a bactéria, a tendência é que se tornem predominantes e diminua o número de casos associado a essas doenças nas cidades. Esta iniciativa não usa qualquer tipo de modificação genética.

Fotos/Ilustrações: 

World mosquito program Brasil

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