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Publicado em: 14/12/2017

Diretora da Opas/OMS pede construção de alianças para que ninguém fique para trás no caminho até a saúde universal

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Com a participação de quase 200 líderes políticos, representantes da sociedade civil e especialistas de 30 países das Américas, foi realizado nos dia 11 e 12 deste mês, em Quito, no Equador, uma reunião regional de alto nível sobre saúde universal. O encontro foi promovido pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em colaboração com o governo equatoriano. Etienne disse que “a geração de alianças é a chave para alcançar a saúde universal sem deixar ninguém para trás” e pediu o “empoderamento das pessoas e das comunidades”, a fim de que possam fazer parte das mudanças necessárias ao alcance da saúde para todos.

O evento buscou criar espaços de reflexão e debate acerca do futuro dos sistemas de saúde e forjar alianças estratégicas para transformá-los. O objetivo é atingir as metas de saúde universal para 2030, compromisso assumido pelos países na nova Agenda para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e nas várias estratégias da Opas e da Assembleia Mundial da Saúde. Saúde universal significa que todas as pessoas, sobretudo as que estão em situação de vulnerabilidade – não importa onde estejam –, tenham acesso a cuidados de saúde efetivos e de qualidade e sejam protegidas de dificuldades financeiras no momento em que necessitam de assistência.

Na América Latina e no Caribe, 30% da população não tem acesso a cuidados de saúde por razões econômicas e 21% não busca atendimento devido a barreiras geográficas. “Aumentar o número de pessoas com cobertura e acesso à saúde gerará resultados positivos não apenas na saúde da população, mas também no progresso econômico e na prosperidade”, disse Etienne, destacando a necessidade de “buscar soluções inovadoras para responder ao contexto do século 21”.

Por sua vez, a ministra da Saúde do Equador, Verónica Espinosa, ressaltou que “a Constituição do Equador garante a saúde como um direito” e destacou que o sistema de saúde do país possui uma abordagem familiar e comunitária que posiciona o usuário no centro da atenção.

Espinosa compartilhou a experiência da estratégia Médico del Barrio, uma iniciativa de assistência de casa em casa dos grupos mais vulneráveis, com o fim de melhorar sua saúde e prevenir doenças. A equipe da Médico del Barrio possui, entre outros, um técnico de atenção primária em saúde, que permite a vinculação do sistema de saúde com a comunidade.“A medicina não pertence apenas aos médicos”, refletiu Espinosa, pedindo aos delegados que “continuem a fortalecer alianças estratégicas e compartilhem experiências e lições aprendidas que apoiem a tomada de decisão dos Estados”. Segundo ela, a estratégia Médico del Barrio, foi inspirada em experiências do Brasil, Venezuela e Cuba.

Mariano Nascone, diretor de Assuntos Sociais da União das Nações Sul-Americanas (Unasur), sede da reunião, disse que as políticas ativas de inclusão social dos Estados podem contribuir para alcançar a saúde universal na região mais desigual do mundo. “Aprendemos que, em tempos de recessão econômica, a saúde não pode ser a variável a ser apertada. Fazer isso reduz a qualidade de vida das pessoas e o desenvolvimento dos países”, defendeu.

A reunião “Saúde universal no século XXI: 40 anos de Alma-Ata” ocorreu na véspera do Dia Mundial de Cobertura Universal (12 de dezembro) e 40 anos após a primeira conferência internacional sobre atenção primária de saúde realizada em 1978 em Alma-Ata, no Cazaquistão. Esse encontro e sua Declaração promoveram os valores de direito à saúde, à equidade e à solidariedade, além de mudarem a forma de organizar os serviços de saúde, ao ampliar o modelo médico para incluir fatores sociais e econômicos, bem como reconhecer que as ações de numerosos setores, como as ONGs, poderiam melhorar a saúde da população.

Avanços desde Alma-Ata

Quarenta anos após a Declaração de Alma-Ata, os países das Américas têm avançado em direção à cobertura e ao acesso universal à saúde, bem como na melhoria da qualidade dos serviços de saúde, no acesso a medicamentos essenciais e na disponibilidade de tecnologia para salvar vidas. No entanto, cada país tem suas necessidades específicas e muitos desafios permanecem.

A diretora da Opas, que também é diretora Regional para as Américas da Organização Mundial de Saúde (OMS), esclareceu que a expansão da cobertura e do acesso à saúde não podem ser vistos apenas em termos financeiros. “É preciso garantir que os recursos sejam utilizados de forma eficiente e justa”, disse.

Como resultado do encontro, foi criado um movimento de advocacia que durante o ano de 2018 analisará os desafios e lacunas no avanço da saúde universal nas Américas, bem como elaborará recomendações que possam contribuir para o alcance da cobertura de saúde para todas e todos em 2030.

 

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