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Publicado em: 13/12/2018

EPSJV vai oferecer curso para jovens africanos

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Julia Neves

 A Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) participou, nos dias 22 e 23 de novembro, do 6º Fórum Brasil-África, promovido pelo Instituto Brasil-África (Ibraf), em Salvador (BA). Com o tema ‘Empoderamento Juvenil: transformação para alcançar o desenvolvimento sustentável’, o evento reuniu representantes de governos, de instituições de ensino e pesquisa públicas e de entidades privadas com potencial de financiamento de ações de cooperação, e teve como objetivo fortalecer os laços e estimular novas parcerias entre os países africanos de língua portuguesa. No encontro foi pactuado um projeto de cooperação entre a Fiocruz e o Ibraf. Pela expertise na formação técnica, a EPSJV/Fiocruz foi demandada a oferecer o Curso de Manutenção de Equipamentos de Laboratório de Patologia para jovens africanos pertencentes à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Segundo Ingrid D’avilla, coordenadora de Cooperação Internacional da Escola Politécnica, o projeto se insere no contexto de relevância da priorização da Fiocruz em ações de cooperação Sul-Sul – cooperação técnica internacional que se dá entre países em desenvolvimento, que compartilham desafios e experiências semelhantes. “Para a EPSJV é a oportunidade de realizar, novamente, uma ação educativa com os países africanos. Esta ação reafirma os compromissos que temos assumido historicamente como centro colaborador da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), desde 2004, e como secretaria executiva da Rede de Escolas Técnicas de Saúde da CPLP. Acreditamos que será uma atividade muito interessante e mobilizadora para os coordenadores, professores e estudantes do curso”, destaca.

Com carga horária de 160 horas e 30 vagas, o curso está previsto para acontecer no segundo semestre de 2019, durante quatro semanas, na EPSJV/Fiocruz, no Rio de Janeiro. A coordenação e o corpo docente também serão compostos por profissionais da Escola Politécnica. No evento, como consensos iniciais sobre a oferta do curso, ficou definida a priorização de público alvo visando o fortalecimento dos sistemas públicos de saúde. Nesse sentido, serão indicados dois ou três trabalhadores de cada um dos países da CPLP que trabalhem nos laboratórios públicos de seus países e que tenham, pelo menos, o equivalente ao Ensino Médio completo. Ao final do curso, os alunos estarão capacitados na operação e manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos de laboratório de patologia.

A ideia da formação surgiu em agosto deste ano, quando houve uma primeira reunião na EPSJV/Fiocruz, onde foram discutidas as possibilidades de cooperação para a oferta de cursos para jovens dos países africanos. Tais cursos poderiam compor o Youth Technical Training Program – YTTP (Programa de Capacitação de Jovens Africanos), desenvolvido pelo Ibraf. Dessa reunião, participaram representantes do gabinete da presidência da Fiocruz, do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris/Fiocruz), da EPSJV e o presidente do Ibraf.

Outras cooperações

Desde 2004, a Escola foi designada como Centro Colaborador da Opas/OMS para a Educação de Técnicos em Saúde. As instituições que atuam como centros colaboradores participam de redes colaborativas internacionais e desenvolvem diversas atividades de apoio à OMS, com o objetivo de contribuir para aumentar a cooperação técnica entre os países. O trabalho como centro colaborador se baseia nos princípios da cooperação Sul-sul e cooperação estruturante – que trabalha a partir das prioridades, dos sistemas e das necessidades dos países, apoiando e reforçando suas capacidades. A EPSJV/Fiocruz exerce também a função de Secretaria Executiva da Rede Internacional de Educação de Técnicos em Saúde (RETS) e de sua sub-rede RETS-CPLP.

A Escola promove diversas ações de cooperação técnica internacional como a realização de estudos científicos no âmbito da educação profissional; disseminação de informações e conhecimentos técnico-científicos sobre profissionais técnicos em saúde; realização de projetos para a formação e desenvolvimento de profissionais de saúde; assessoria no desenvolvimento local de ações de formação continuada de profissionais de saúde; elaboração de materiais didáticos para apoiar a formação e o desenvolvimento de profissionais de saúde e docentes; entre outras atividades.

No ano de 2009, o Curso de Especialização Técnica de Nível Médio em Gestão e Manutenção de Equipamentos em Saúde foi ofertado pela EPSJV/Fiocruz para um grupo de alunos de Moçambique, que são trabalhadores do Departamento de Manutenção do Ministério da Saúde de Moçambique. Dois anos depois, foi promovido o Curso de Especialização em Educação Profissional em Saúde para Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palops), que formou professores e dirigentes de instituições públicas de formação de técnicos em saúde de Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Guiné Bissau. As aulas aconteceram de forma itinerante nesses cinco países africanos e foram finalizadas na EPSJV/Fiocruz, no Brasil.

Em 2012, a experiência brasileira na Atenção Primária em Saúde (APS) foi tema de um curso oferecido pela EPSJV/Fiocruz a um grupo de 80 trabalhadores dos serviços de saúde do Chile. O curso de Atualização em Atenção Primária em Saúde na Experiência Brasileira foi dividido em seis módulos que trataram de temas como modelos de atenção em saúde, construção da política brasileira de APS, operacionalização da Atenção Básica em Saúde e o trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS).

Em 2016, a EPSJV/Fiocruz ofereceu a Especialização em Docência em Educação Profissional em Saúde para a formação de docentes da Universidade da República do Uruguai (Udelar). O curso, que formou 28 profissionais que trabalham nas diferentes formações da área da saúde do Centro Universitário Regional (Cenur) - Litoral Norte da Udelar, em Paysandú, buscou aprofundar as bases teórico-metodológicas que fundamentam as práticas de educação e suas relações com a saúde e com o trabalho em saúde. Com carga horária de 420 horas, a especialização incluiu cinco disciplinas: ‘Política, processo de trabalho e formação em saúde’; ‘Teorias da Educação’; ‘Tecnologias Educacionais no campo da Educação’; ‘Avaliação Educacional’; e ‘Processo Investigativo e Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)’.

Mais recentemente, em 2018, o curso Internacional de curta duração ‘A formação e o trabalho em saúde: vínculos com o trabalho docente na área da saúde’ teve um impacto efetivo no processo de internacionalização do ensino no âmbito da EPSJV/Fiocruz, a partir da ampliação do intercâmbio entre docentes e discentes das diferentes unidades e programas educacionais da Fiocruz e ainda da  Universidade Nacional da Colômbia. Com carga horária de 40h, o curso debateu os principais dilemas que perpassam a formação e o trabalho docente na área da saúde na contemporaneidade, a partir de experiências de formação de docentes em saúde na América Latina, que é um dos eixos de reflexão e de estudo a ser consolidado tanto no âmbito do Programa de Pós-Graduação da EPSJV como das ações de Cooperação Internacional desenvolvidas pela Escola.

Outras cooperações estruturantes foram realizadas em formatos de cursos ou ações pontuais como apoio e construção de materiais didáticos. Tais ações aconteceram nas áreas de Biossegurança em Biotérios no Uruguai, de Gestão em Saúde na Angola, Biodiagnóstico em Cabo Verde, de Vigilância em Saúde na Argentina e em Cabo Verde, bem como ações de cooperação com Haiti para ajudar na inserção de ACS no serviço de saúde, após o terremoto que destruiu parte importante do país em 2010.

Veja mais ações de cooperação no livro ‘Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio: 10 anos como Centro Colaborador da OMS para a Educação de Técnicos em Saúde'

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