Você está aqui

Publicado em: 02/02/2018

Informativo sobre Febre amarela

imprimirimprimirenviar por e-mailenviar por e-mail
  • Facebook

Principais fatos:

  • A febre amarela é uma doença hemorrágica viral transmitida por mosquitos infectados. O termo “amarela” se refere à icterícia apresentada por alguns pacientes.
  • Febre, dor de cabeça, icterícia, dores musculares, náusea, vômitos e fadiga são sintomas de febre amarela.
  • Uma pequena proporção de pacientes que contraem o vírus desenvolve sintomas graves e aproximadamente metade deles morre de sete a 10 dias.
  • O vírus é endêmico em áreas tropicais da África, América Central e América do Sul.
  • Grandes epidemias de febre amarela ocorrem quando pessoas infectadas introduzem o vírus em áreas densamente povoadas com alta densidade de mosquitos e onde a maioria das pessoas tem pouca ou nenhuma imunidade devido à falta de vacinação. Nessas condições, mosquitos infectados transmitem o vírus de pessoa para pessoa.
  • A febre amarela é prevenida por uma vacina extremamente eficaz, segura e acessível. Uma dose da vacina é suficiente para garantir imunidade e proteção ao longo da vida, não sendo necessária nenhuma dose de reforço. A vacina confere imunidade eficaz dentro de 30 dias para 99% das pessoas imunizadas.
  • Bons tratamentos de apoio em hospitais melhoram as taxas de sobrevivência. Não há, atualmente, nenhum medicamento antiviral específico para febre amarela.

Sintomas:

Uma vez contraído, o vírus da febre amarela demora de 3 a 6 dias para ser incubado no corpo. Muitas pessoas não apresentam sintomas; os mais comuns são febre, dores musculares com dor lombar proeminente, dor de cabeça, perda de apetite, náusea ou vômito. Na maioria dos casos, os sintomas desaparecem depois de 3 ou 4 dias.

Uma pequena porcentagem de pacientes, entretanto, entra em uma segunda fase mais grave, dentro de 24 horas após a recuperação dos sintomas iniciais. A febre alta retorna e vários sistemas do corpo são afetados, geralmente o fígado e os rins. Nessa fase, as pessoas estão suscetíveis a desenvolverem icterícia (“amarelamento” da pele e dos olhos), urina escura e dores abdominais com vômitos. Sangramentos podem ocorrer a partir da boca, nariz, olhos ou estômago. Metade dos pacientes que entram na fase tóxica morre dentro de 7 a 10 dias.

A febre amarela é de difícil diagnóstico, principalmente em estágios iniciais. A doença agravada pode ser confundida com malária, leptospirose, hepatite viral (especialmente a forma fulminante), outras febres hemorrágicas, infecção por outros flavivírus (como dengue) e envenenamento.

Grupos de risco

Quarenta e sete países, dos quais 34 na África e 13 nas Américas Central e do Sul, são endêmicos ou possuem regiões endêmicas de febre amarela. Um estudo modelo baseado em fontes de dados africanas estima que, em 2013, a febre amarela foi responsável por 84.000 – 170.000 casos graves e 29.000 – 60.000 mortes.

Ocasionalmente viajantes que visitam países endêmicos podem levar a doença para outros países livres dela. Com o objetivo de impedir a importação da enfermidade, muitos países exigem comprovante de vacinação contra febre amarela antes de emitir o visto, particularmente no caso de viajantes que vêm de ou que visitaram áreas endêmicas.

O vírus da febre amarela é um arbovírus do gênero flavivírus e é transmitido por mosquitos pertencentes às espécies Aedes e Haemagogus. Ambas as espécies vivem em diferentes habitats – algumas em volta das casas (domésticas), outras na floresta (selvagens/silvestres) e algumas nos dois locais (semi-dom

ésticas). Existem três tipos de ciclos de transmissão:

  1. Febre amarela silvestre (ou selvagem): em florestas tropicais, macacos, que são os reservatórios primários de febre amarela, são picados por mosquitos selvagens, que passam o vírus aos outros macacos. Ocasionalmente, humanos que trabalham ou viajam para essas áreas são picados por mosquitos infectados e desenvolvem febre amarela.
  2. Febre amarela “intermediária”: nesse tipo de transmissão, mosquitos semi-domésticos infectam tanto macacos quanto pessoas. O aumento do contato entre pessoas e mosquitos infectados leva ao crescimento da transmissão e muitos locais isolados em uma área podem desenvolver surtos ao mesmo tempo. Esse é o tipo de epidemia mais comum na África.
  3. Febre amarela urbana: grandes epidemias ocorrem quando pessoas infectadas introduzem o vírus em áreas superpovoadas com alta densidade de mosquitos e onde a maioria dos indivíduos possuem pouca ou nenhuma imunidade devido à falta de vacinação. Nessas condições, mosquitos infectados transmitem o vírus de pessoa para pessoa.

Tratamento

Um tratamento de apoio oportuno e de qualidade nos hospitais melhora as taxas de sobrevivência. Atualmente, não há nenhum medicamento antiviral específico para febre amarela, mas os cuidados no tratamento de desidratação, falência do fígado e dos rins e febre melhora o resultado. Infecções bacterianas associadas podem ser tratadas com antibióticos.

Prevenção

1. Vacinação

A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção contra a febre amarela. Em áreas de alto risco, onde a cobertura vacinal é baixa, o pronto reconhecimento e controle de surtos recorrendo à imunização de massa é fundamental para prevenir epidemias. É importante vacinar a maioria (80% ou mais) da população em risco para evitar a transmissão em uma região com epidemia de febre amarela.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) também tem recomendado aos países das Américas realizar uma avaliação das coberturas de vacinação contra febre amarela em áreas de risco, a nível municipal, para garantir ao menos 95% de cobertura na população que vive nessas áreas.

Diversas estratégias de vacinação são utilizadas para proteger contra surtos: imunização de rotina em lactentes; campanhas de vacinação em massa planejadas para aumentar a cobertura em países com risco; e vacinação de viajantes que vão para áreas endêmicas de febre amarela.

A OMS recomenda que apenas uma dose já é capaz de proteger a pessoa imunizada contra a doença pelo resto da vida, sem que seja necessário administrar nenhum reforço.

De acordo com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), países têm o direito de exigir dos viajantes o certificado de vacinação contra febre amarela. Se houver razões médicas para que não haja vacinação, deve ser apresentado certificado emitido pelas autoridades competentes. O RSI é um quadro juridicamente vinculativo para impedir a propagação de doenças infecciosas e outras ameaças à saúde. A exigência do certificado de vacinação fica a critério de cada Estado Parte e, atualmente, não é solicitado por todos os países.

2. Controle do mosquito

O risco de transmissão da febre amarela em áreas urbanas pode ser reduzido por meio da eliminação de potenciais locais de reprodução de mosquitos pela aplicação de larvicidas em recipientes que armazenam água, entre outros. A pulverização de inseticidas para matar os mosquitos adultos durante as epidemias urbanas pode auxiliar na redução do número de vetores, reduzindo assim potenciais fontes de transmissão da febre amarela.

Historicamente, as campanhas de controle vetorial têm eliminado com sucesso o Aedes aegypti, o vetor urbano de febre amarela, principalmente nas Américas Central e do Sul. Entretanto, o mosquito tem se recolonizado em áreas urbanas na região, aumentando o risco da febre amarela urbana. Os programas de controle com foco nos mosquitos selvagens em áreas florestais não são práticos para prevenir a transmissão da febre amarela silvestre.

3. Preparação e resposta às epidemias

A rápida detecção da febre amarela e a resposta em tempo oportuno por meio de campanhas de vacinação de emergência são essenciais para controlar epidemias. Entretanto, a subnotificação é uma preocupação, já que o verdadeiro número de casos é estimado entre 10 e 250 vezes o número de notificações registradas.

A OMS recomenda que todos os países em risco tenham pelo menos um laboratório nacional onde exames de sangue básicos para febre amarela possam ser realizados. Um caso confirmado em laboratório em uma população não imunizada é considerado um surto. Um caso confirmado em qualquer contexto deve ser plenamente investigado, particularmente em áreas onde a maior parte da população foi vacinada. Equipes de investigação devem avaliar e responder ao surto com as medidas de emergência e planos de imunização em longo prazo.

Resposta no mundo

A OMS é Secretariado para o Grupo de Coordenação Internacional para Provisão de Vacinas (GCI). O GCI mantém um estoque de emergência de vacinas contra a febre amarela para garantir uma resposta rápida aos surtos em países de alto risco.

Em 2006, a “Yellow Fever Iniciative” foi lançada para garantir o suprimento da vacina em nível global e aumentar a imunidade da população por meio da vacinação. A iniciativa, liderada pela OMS e apoiada pela UNICEF e governos nacionais, tem foco em países altamente endêmicos na África, onde a doença é mais recorrente. Desde o lançamento do projeto, progressos significantes foram feitos na África Ocidental no controle da doença. Mais de 105 milhões de pessoas foram vacinadas.

A iniciativa recomenda a inclusão das vacinas de febre amarela na rotina de imunização de crianças (a partir dos 9 meses de idade), implementando campanhas de vacinação em massa em áreas de alto risco para todas as pessoas com idade maior que 9 meses, e mantendo a vigilância e a capacidade de resposta aos surtos.

Resposta no Brasil

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS) tem dado amplo suporte ao governo do Brasil e aos estados na resposta aos surtos de febre amarela ocorridos desde o ano passado – como o envio de vacinas contra a doença, a compra de seringas para doses fracionadas, a divulgação de recomendações baseadas nas melhores evidências científicas disponíveis e o trabalho em campo, juntamente com as autoridades nacionais e locais.

Somente em 2017, mais de 20 profissionais foram enviados pelo organismo internacional à Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro para atuar no controle de mosquitos Aedes, minimizando o risco de transmissão urbana da doença, na análise detalhada de dados para subsidiar ações estratégicas, na capacitação de profissionais, na pesquisa epidemiológica com pacientes infectados ou com suspeita de infeção e na atualização de guias e protocolos de atendimento.

Além disso, a pedido do Ministério da Saúde do Brasil, uma equipe formada por membros da Opas, da Rede Mundial de Alerta e Resposta a Surtos (GOARN, na sigla em inglês) e da OMS organizou em Brasília um workshop, em dezembro de 2017, para especialistas em controle de febre amarela sobre estratégias de vacinação durante possíveis surtos em grandes cidades, incluindo o fracionamento de doses.

Comentar