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Publicado em: 01/06/2026

2º Summit da CPLP reforça compromisso com sistemas de saúde integrados e cooperação entre países lusófonos

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O 2º Summit de Integração de Cuidados de Saúde dos Países de Língua Portuguesa, realizado entre os dias 13 e 15 de maio de 2026, no Rio de Janeiro, representou um importante avanço no fortalecimento da cooperação em saúde entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Mais do que um encontro técnico, o evento consolidou-se como um espaço estratégico de articulação política, científica e institucional voltado à construção de sistemas de saúde mais integrados, sustentáveis e centrados nas necessidades das populações.

A dimensão alcançada pelo Summit evidencia sua relevância crescente no cenário internacional. Organizado pela Portuguese Association for Integrated Care (PAFIC) em parceria com a Associação Cuidadosa, o encontro contou com apoio institucional dos Ministérios da Saúde do Brasil e de Portugal, do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da CPLP. A programação reuniu mais de 120 palestrantes distribuídos em 28 sessões ao longo de três dias, envolvendo gestores públicos, profissionais de saúde, pesquisadores, organismos internacionais e representantes de instituições acadêmicas dos países lusófonos.

Entre os participantes estiveram representantes governamentais, especialistas em integração de cuidados, dirigentes de instituições de saúde, técnicos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e autoridades ligadas aos sistemas nacionais de saúde dos países membros da CPLP. A OMS teve participação ativa em painéis técnicos, sessões paralelas e atividades de intercâmbio, destacando experiências relacionadas à estratégia ICOPE (Integrated Care for Older People), voltada à reorganização dos sistemas de saúde para responder ao envelhecimento populacional por meio de cuidados continuados, integrados e centrados na pessoa.

Um dos aspectos mais relevantes do Summit foi a consolidação do conceito de integração de cuidados como eixo estruturante das políticas de saúde no espaço lusófono. As discussões apontaram a necessidade de superar a fragmentação dos serviços e fortalecer mecanismos de coordenação entre atenção primária, atenção especializada, serviços sociais e cuidados de longa duração. A proposta defendida ao longo do encontro baseou-se nos chamados “4C da Integração”: continuidade, coordenação, centralidade na pessoa e comunidade.

O envelhecimento populacional apareceu como um dos temas centrais. Autoridades brasileiras destacaram que a rápida mudança demográfica exigirá sistemas de saúde mais preparados para lidar com doenças crônicas, dependência funcional e cuidados de longa duração. Nesse contexto, o Summit reforçou a importância da reorganização dos modelos assistenciais para garantir maior eficiência, qualidade do cuidado e sustentabilidade financeira dos sistemas públicos de saúde.

Outro elemento importante foi a valorização da produção de conhecimento e da inovação. O evento estimulou a apresentação de pesquisas, projetos de intervenção, experiências locais e iniciativas tecnológicas voltadas à integração dos cuidados. Também foram promovidos espaços para divulgação de boas práticas e reconhecimento de projetos considerados inovadores na área da saúde integrada, fortalecendo o intercâmbio técnico entre os países participantes.

Do ponto de vista político e institucional, um dos principais resultados do encontro foi o fortalecimento de uma rede colaborativa de cuidados integrados no âmbito da CPLP. Os países reafirmaram os compromissos anteriormente assumidos na Carta de Lisboa de 2025 e avançaram na construção de uma agenda comum por meio da assinatura da Carta de Compromisso do Rio de Janeiro 2026, documento que estabelece diretrizes para acelerar a transformação dos sistemas de saúde e proteção social nos países lusófonos.

Entre os principais encaminhamentos pós-evento destacam-se:

  • fortalecimento da cooperação técnica entre os países da CPLP na área de integração de cuidados;
  • desenvolvimento de redes permanentes de intercâmbio de experiências e boas práticas;
  • ampliação das estratégias voltadas ao envelhecimento saudável e aos cuidados de longa duração;
  • incentivo à formulação de políticas públicas centradas na pessoa e na comunidade;
  • promoção de modelos de atenção articulados entre saúde e assistência social;
  • estímulo à produção científica conjunta e à difusão de evidências para subsidiar decisões em saúde;
  • fortalecimento da formação e qualificação da força de trabalho em saúde para atuação em modelos integrados de cuidado;
  • incorporação dos princípios da integração de cuidados nos planos nacionais de saúde dos países participantes.

O Summit também reforçou diretrizes já previstas no Plano Estratégico de Cooperação em Saúde da CPLP 2023-2027, especialmente nos eixos relacionados ao fortalecimento dos sistemas nacionais de saúde e ao desenvolvimento da força de trabalho. Nesse sentido, o encontro dialoga diretamente com debates sobre educação profissional, formação de técnicos em saúde, qualificação permanente e organização de equipes multiprofissionais capazes de atuar de forma integrada nos diferentes níveis de atenção.

Como resultado geral, o evento demonstrou que a cooperação em saúde no espaço lusófono vem adquirindo maior densidade institucional e capacidade de articulação internacional. Ao reunir diferentes países em torno de desafios comuns e soluções compartilhadas, o 2º Summit consolidou a integração de cuidados como uma agenda prioritária para a CPLP e fortaleceu a construção de uma comunidade de prática capaz de contribuir para sistemas de saúde mais resilientes, inclusivos e preparados para responder às transformações demográficas, epidemiológicas e sociais das próximas décadas.